17 de dezembro de 2009

Murmura, rio, murmura (Fado das Três Horas)

Murmura, rio, murmura


É doce o teu murmurar;
Que tristeza, que ternura,
Tu tens no teu soluçar.

Pela calada da noite,
Enquanto não surge a aurora,
Qu’esta minh’alma se afoite,
Suspira, guitarra, chora!

Voga, barco, mansamente,
Pelas águas prateadas,
Leva este canto dolente,
Aos peitos das namoradas!

Cada nota tão sentida,
Que a minha guitarra envia,
É uma canção dolorida,
D’amor e melancolia.

E estas canções eu trago-as
Presas nas asas da brisa,
Para espalhar sobre as águas,
Enquanto o barco desliza!...

Bráulio Caldas - 1887

1 comentários:

Anónimo disse...

Muito boa noite
gostei do seu Blog

Por gentileza poderia informar-me
onde arranjou este poema
e qual a sua fonte bibliográfica?
Ficar-lhe-ia muito grata.

Cumprimentos

A Carreira

Enviar um comentário