1 de abril de 2010

Título desconhecido



Ensinaram-me as coisas importantes
Que afinal o não eram.
Acumularam-me de conhecimentos
De que ainda me liberto.
Ditaram-me no caderno de duas linhas
Os exemplos que procuro não seguir.
Fizeram-me ler as histórias de santos, sábios e heróis,
Que eu não quero ser nem imitar.
Soube de cor as constelações
Que hoje se escondem no fundo das cidades.
Ensinaram-me a pescar nos rios e regatos
Em que bóiam as garrafas de plástico.
Quando eu sabia tudo
Atiraram-me para a vida de que eu não sabia nada
E onde tudo era ao contrário do que aprendera.
Habituei-me a raciocinar pelo contrário.
Não era feliz, era desarmado.
E tive de aprender, de novo,
Tudo o que me haviam ensinado
E que eu queria não ter aprendido.

Jacinto Magalhães

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