20 de junho de 2010

Não me Peçam Razões...


Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

1 comentários:

grapilho disse...

ESTRANHOS JUÍZES, ESTRANHOS DEUSES!

Todo aquele que, não quiser ter defeitos, que morra.

A sociedade que lhos impôs e condenou, deles o isenta e perdoa!


"Grapilho"

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