26 de julho de 2010

Para atravessar contigo o deserto do mundo



Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários:

Anónimo disse...

Como as dunas nos vamos deslocando
serpenteando tanto deserto
nessa imensidão, nos fomos encontrando
e nosso desejo foi desperto

Sopram os ventos
teimam em apagar nossas pegadas
somos mais fortes nos alentos
dessas cordenadas encontradas

Nesse turbilhão de areia e pó
é difícil encontrar sul ou norte
façamos caminho como um só
nesse percurso até à morte

Resgate Salta disse...

Lindo poema.

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