19 de março de 2011

Esperança



Esperança

Vem, esp'rança, animar os meus dias:
Ah! não fujas... não fujas assim:
Dá-me um riso, dos teus magos risos..
Oh í esquiva não sejas p'ra mim.

E serás para sempre meu nume,
Minhas crenças em ti firmarei:
E da lyra a corda mais terna
Inspirada por ti yibrarei.

Não és praia das ondas batida,
Nem és concha do már expulsada,
Não és fonte das calmas exhausta,
Nem és rosa no peito murchada.

E's centélha na mente accendida,
E alaúde de dôce harmonia,
Que alto tanges na corda dourada,
Doce corda, que diz —fantasia —

E's o sonho constante da vida;
Com encantos o Céo te fadou:
E's o meigo sorrir da existencia,
Nunca o homem o sêr te mudou!...

Vem, espVança, animar os meus dias:
Ah! não fujas... não fujas assim:
Da-me um riso dos teus magos risos...
Oh! esquiva não sejas p'ra mim.

Mas que importa? és mentirosa;
E a mentira não dura:
Fóge o riso n'um momento,
E' maior a desventura!

Tuas illusões fagueiras
Não pódem satisfazer:
Vae, espVança, que não quero
O teu falso promcltcr.

Eu não quero, que me outorgues
Cá no mundo vãa grandeza;
Não amo o fausto, nem quero
Os lhesouros da riqueza.

Não me agrada o reboliço,
Nem o luxo da cidade:
Amo só dos pobres campos
À paz, a simplicidade.

Anna Amália Moreira de Sá

Parabéns Vizela. Parabéns Vizelenses.

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