2 de abril de 2011

Olho-te nos olhos



Olho-te nos olhos

olho-te nos olhos:
com versos emprestados e tímidas lágrimas hesitantes,
despimos o manto dos segredos.


olho-te nos olhos:
e pergunto-me se algum dia lerás
o mar que arde e que tarda em amanhecer.
respondes com dedos lânguidos
decorando o mapa do meu rosto ausente.

pouco importa o beijo que um dia prometi - lembras-te?
vai insistindo a eterna muralha do silêncio.
esgotando (dizem-nos) está o sibilante céu amargurado,
e nós, olhos nos olhos, de almas coladas,
trocando cartas vazias e inventando serenamente
uma nova palavra para amar.

palavramante,
voam os lábios enlaçados,
murmurando poesia a noite inteira.
não digas nada: é que tudo já está escrito no livro do destino.

Ricardo Gil Soeiro

1 de abril de 2011

Um Fado: Palavras Minhas



Um Fado: Palavras Minhas


Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
— que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Pedro Tamen