28 de outubro de 2014

Lucidez do fim...........



Lucidez do fim

Momentos voando na zona cinzenta
do meu cérebro,
suas asas batento entrelaçam meu pensamento
na cor da liberdade.

Fluem as ideias nas ondas da luz
de meus olhos,
solta-se a vida no fulgor do raio do sol de cada manhã
até à lucidez do fim.

Maria do Resgate Salta

24 de outubro de 2014

Baila-baila


Baila-Baila

Meus versos perdidos...
meus versos achados...
vão uns, vêm outros...,
e esses se vão
de novo, enganados.

são versos perdidos...
são versos achados...

(meu Deus, fui sincera?
se o não fui, quisera!)

e os versos são meus,
bem meus, porque não?...
só não sei dizer
quando são perdidos,
ou quando não são...

e assim, nos bailados
do rumo-sem fim,
eu vou-os tecendo...

levando-os... trazendo-os...
em busca de mim!...

Alda Lara

17 de outubro de 2014

Poema ao jantar


Poema ao Jantar


Olá, que estás a fazer?
O jantar.
O que é que vais fazer?
Um poema…
Só um poema, ou alguma coisa para acompanhar?
Sim, vou juntar-lhe o tempo...
e meia dúzia de pensamentos, dos mais pequenos…
Posso ajudar-te?
Claro, fazemos para os dois.
Passa-me aquelas palavras…
Quais?
As que estão por aí sem norte, desarmadas e frias.
E servem?
Vais ver, tenho um truque que as torna de ler e chorar por mais.
Não estão duras?
Com um pouco de paciência e cozedura lenta, amolecem.
Espera, preciso de bater primeiro o coração.
Queres que bata?
Bate comigo, os dois somos o número ideal.
Põe mais beijos…
mais, não deixes cair muitos de uma vez.
Tem já uma bela cor!
estou a ficar cheio de fome.
então pega no meu corpo e aquece-o,
Não deixes queimar, mexe sempre os olhos,
repara na cidade e nas sombras que diminuem.
cuidado não vá engrossar esse modo de ser.
Já podemos juntar tudo?
Falta-me a ternura, não sei se restou alguma,
tive um poema enorme a semana passada.
espera, já cresceram mais umas folhas.
Apanha com cuidado, para a deixar crescer outra vez.
Agora basta que me tenhas e me queiras,
Junta o ramo de cheiros que a tua memória colheu
Cheira, como é boa essa pitada de loucura que juntaste.
Vá, senta-te, Vou servir.
Pão?
Não, prefiro assim.
Traz o vinho
Tinto?
Claro, e tu senta-te, não quero começar sem ti.

Jorge Bicho

10 de outubro de 2014

Luar



LUAR

O luar enche a terra de miragens
E as coisas têm hoje uma alma virgem,
O vento acordou entre as folhagens
Uma vida secreta e fugitiva,
Feita de sombra e luz, terror e calma,
Que é o perfeito acorde da minha alma

Sophia de Mello Breyner Andresen