15 de fevereiro de 2016

Como um vento na floresta


Como um vento na floresta

 Como um vento na floresta,
 Minha emoção não tem fim.
 Nada sou, nada me resta.
 Não sei quem sou para mim.

 E como entre os arvoredos
 Há grandes sons de folhagem,
 Também agito segredos
 No fundo da minha imagem.
 E o grande ruído do vento
 Que as folhas cobrem de som
 Despe-me do pensamento:
 Sou ninguém, temo ser bom.


 Fernando Pessoa

0 comentários:

Enviar um comentário